Bolívia - João Paulo de Vasconcelos - Fotografia

Blogueiro conta como viaja o mundo há 12 anos

Muita gente sonha em viajar o mundo, mas reclama de não ter dinheiro, tempo o suficiente, que o próprio trabalho não deixa  pessoa se afastar por tanto tempo e que essa não é uma vida se levar. Mas ultimamente aparecem muitas notícias de pessoas que largaram tudo pra viajar o mundo, tem sites como o Nômades Digitais que focam especialmente em jeitos de ganhar dinheiro em qualquer lugar e milhares de contas no Instagram com fotos de lugres que fazem qualquer um invejar essa vida.

Pôr do sol - Atacama, Chile

O que muita gente tem medo é de não conseguir, de não ter dinheiro o suficiente pra sair pro mundo, e de não saber como começar. Os inúmeros leitores do blog americano Wandering Earl se fazem todas essas perguntas a cada novo post do blogueiro que agora resolveu tirar as dúvidas de quem quer largar tudo, contando um pouco da sua história:

Estou confuso.

Estou confuso por até agora não ter conseguido explicar direito como eu consegui viajar/viver/trabalhar pelo mundo direto nos últimos 12 anos (e continuo).

As perguntas ainda aparecem todos os dias: Como você faz isso? Como é possível viajar por tanto tempo? De onde vem todo o dinheiro?

Mesmo que eu realmente goste de me comunicar com meus leitores (eu estou falando sério e quero que vocês continuem me mandando e-mails sempre que quiserem), o fato de todas essas perguntas estarem nas cabeças de tantos de vocês por aí me fazem acreditar que eu tenho que fazer um trabalho melhor em respondê-las. 

É verdade que eu já escrevi diversos posts a respeito desse assunto, mas claramente todos eles mesmo quando colocados juntos ainda não conseguem provar que uma vida de viagens não é uma idéia louca, mas sim um jeito completamente racional e alcançável de se viver a vida.

Eu até dei indicações de outros viajantes que estão por aí vivendo uma vida nômade, mas aparentemente isso não foi o suficiente também.

Então o que eu devo fazer?

Como eu posso provar, de uma vez por todas, que você não precisa de $500.000 ou até $50.000 na sua conta, que se você conseguir juntar uns $500 pouca coisa vai conseguir parar você de virar um nômade de verdade. Sem brincadeira, afinal isso é exatamente o que eu mesmo fiz. Tá bom vai, eu saí de casa com uns $1.500 comigo, mas isso também não chega a ser uma fortuna.

Eu não vou desistir de explicar, então aqui vai mais uma tentativa de mostrar como eu consegui uma vida de viagens constantes.

O que vem a seguir é um breve resumo dos últimos 12 anos da minha vida. É meio que uma linha do tempo que mostra onde eu estive, o que eu fazia, e de onde o meu dinheiro veio em todo esse tempo. No fim das contas isso só mostra como um ser humano normal conseguiu bancar 4.195 dias de viagem seguidos vivendo por aí.

Linha do tempo:

25 de Dezembro, 1999:

  • Saí de casa e peguei um vôo pra Bangcoc com $1500 no bolso;
  • Planejei passar 3 meses viajando pelo sudeste asiático;

Março, 2000:

  • Decidi estender minha viagem mesmo tendo só $500 sobrando comigo;
  • Ensinei inglês em Chiang Mai, na Tailândia, ganhando cerca de $150 dólares por semana (o que era bem mais do que o suficiente pra viver bem na cidade naquela época);

Outubro, 2000:

  • Voltei para os EUA com $300 na conta (depois de pagar o vôo de volta);
  • Passei 2 meses em Boston trabalhando como professor substituto do ensino médio;
  • Guardei mais $2500;

Janeiro, 2001:

  • Voltei para a Ásia e passei 12 meses viajando pela Tailândia, Burma, Indonésia, Singapura, Malásia e  Austrália;
  • Enquanto estava na Índia, trabalhei como professor voluntário de inglês por 3 meses em troca de um lugar pra ficar;
  • Fiquei com uns amigos na Tailândia por mais 3 meses e ensinei inglês outra vez em Chiang Mai;
  • Vivi uns 2 meses com uns amigos na Austrália, o que me deixou economizar bastante dinheiro;
  • Voltei para os EUA sem um centavo no bolso;

Fevereiro, 2002

  • Através de um contato me inscrevi para trabalhar em cruzeiros;
  • Consegui um emprego na Carnival Cruise Lines;
  • Trabalhei em dois cruzeiros diferentes durante um contrato de 8 meses;
  • Juntei $8.000 e decidi não renovar o contrato;

O texto na integra em inglês está disponível aqui.

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2 comentários sobre “Blogueiro conta como viaja o mundo há 12 anos

  1. Gostei do post, mas seria mais legal ver exemplos de brasileiros. Ja conheci europeus e norte-americanos que viajam o mundo ou viajaram, mas todos, sem excecao, ensinam ingles em algum lugar. Outro fator inportante: eles ganham ou ajuntaram uma pequena quantia em moeda forte (dolar, libra, euro). No caso de viajantes de paises em desenvolvimento, como nos, muda um pouco porque a preferencia por professor de ingles nativo e sempre maior e a gente tem que ajuntar bem mais do que eles para viajar porque nossa moeda nao vale muito (depende do pais, claro). Acho que para viver viajando sendo brasileiro, existem possibilidades diferentes destas que o Earl mostrou e elas demandam um pouco mais de grana: 1) estudar fora com bolsa do governo e aproveitar para viajar um pouco e conhecer a cultura local (se voce tiver um bom CV); 2) fazer intercambio, au pair, trabalho voluntario (requer uma quantidade razoavel de dinheiro ajuntado para dar entrada no processo); 3) ajuntar uma grana e fazer um gap year; 4) ter um site de sucesso (como o Nomades), o que nao e tao simples, mas…; trocar trabalho por estadia em hostel, fazer colheita, ser baby sitter de cachorro (neste caso tambem precisa de uma grana inicial porque geralmente estas oportunidades estao na Europa, e paises com moeda forte). Enfim, so postei aqui este comentario porque e sempre bom adaptar para o Brasil. Pra eles e mais facil, sem sombra de duvidas. 🙂

    Curtido por 1 pessoa

    1. Com certeza pra eles é bem mais fácil por conta da moeda e talvez até um pouco menos de preconceito em relação ao trabalho pela língua e um histórico menos comum de imigração. Fazer um intercâmbio, bolsa de estudos fora, ou um work and travel da vida é um belo jeito de começar, mas às vezes tem gente que acaba se prendendo muito nessa idéia pela segurança e acaba investindo em cursos ou oportunidades que nem estão interessados, com uma verba que poderia ser facilmente utilizada para dar o primeiro passo de sair atrás de alguma coisa mais livre.
      Os casos de sucesso como o Nomades são bem raros mesmo, tem bastante gente que consegue é algum trabalho nos lugares por onde passam e vão se sustentando assim.
      Curti muito o comentário e concordo que tem uma distância em relação ao Brasil, quero escrever sobre isso ainda levando em consideração a nossa realidade e até alguns projetos bem bacanas como o Worldpackers (https://www.worldpackers.com) que é brasileiro e foca exatamente em trocar trabalho por estadia como você disse. Também tem algo parecido com o que você falou de colheitas, tipo o WWOOF (http://www.wwoof.net), enfim as oportunidades são inúmeras mas as chances nem sempre são as mesmas e é bem comum ver que nós brasileiros muitas vezes temos que lutar um pouco mais pra conseguir algo do tipo.

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