João Paulo de Vasconcelos

Valle de la Muerte, Chile

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No meio do Deserto do Atacama, logo antes do pôr do sol, alguns turistas enfrentavam o vento gelado de uma paisagem marciana em frente a um penhasco, com um pau-de-selfie. Era simples e rápido, eles faziam fila, ficavam em frente ao “mirante” esperando sua vez para tirar uma foto sorrindo antes de voltar correndo para a van de onde saíram. Aos que sobravam o guia gritava da distância: “Vamos! Acabou o tempo!”

O micro-ônibus lotado ia embora e o ambiente ficava calmo, extremamente diferente da muvuca turística que tinha acabado de sair. Às vezes chegavam pessoas de bicicleta que tinham se aventurado desde San Pedro de Atacama para conhecer o famoso Valle de la Muerte, eles ficavam sentados nas pedras, aproveitando o lugar e o momento pelo tempo que quisessem.

É difícil conhecer lugares turísticos como o Deserto do Atacama, Machu Picchu, e outros esperando não encontrar uma massa de turistas que às vezes nem sabem o que estão fazendo lá. Mas no fim das contas sempre vale a pena, a contemplação individual ofusca qualquer pessoa perdida quase se matando na ponta do penhasco com um pau-de-selfie, e no Valle de la Muerte não é diferente.

O nome deixa implícito que o lugar é meio deserto, mas não diz que é formado por rochas gigantes de um vermelho infinito com um pouco de cristais de sal pelas paredes. Tem até uma história dizendo que quem deu o nome para o vale foi um francês que quis dizer Vale de Marte, mas com o sotaque dele os latinos entenderam Vale da Morte e ficou por isso mesmo.

A região do vale é parte do Deserto do Atacama, que é uma das áreas mais secas do planeta, de maneira que as chuvas são raríssimas e quando ocorrem normalmente são rápidas e fracas (com a triste exceção das tempestades do começo desse ano, que deixaram centenas de chilenos desabrigados) o que faz com que o céu esteja quase sempre limpo e que o deserto tenha um dos céus mais estrelados do mundo.

Próximos ao Valle de la Muerte, estão o Valle de la Luna – onde muita gente vai ver o pôr do sol no topo das pequenas montanhas de pedra – e o Geyser del Tatio, que pelas manhãs se enche do vapor das águas termais saindo de buracos no chão.

Para ver mais fotos do Chile é só dar uma olhada no meu Flickr ou no meu site.

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