João Paulo de Vasconcelos

Subindo escadas em Machu Picchu

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Com um olhar cansado e o cabelo suado apesar do vento frio da montanha, Oscar observava o movimento dos milhares de turistas entre as ruínas de Machu Picchu com uma certa desaprovação.

– Não olha com cara feia, a gente também faz parte desse pessoal. – Eu digo rindo.

– Não! Eles são turistas, a gente não é! A gente subiu essa montanha toda e desceu de volta! A gente conquistou alguma coisa.

Sim, diferente da maior parte dos turistas que circulavam Machu Picchu nós não tínhamos subido de ônibus desde Águas Calientes, nós fizemos uma trilha de duas horas subindo escadas antes das 7 da manhã pra chegar lá. Mas isso não bastava, também quisemos subir a montanha, queríamos ver a vista de cima, tínhamos nos registrado no Ministério da Cultura um dia antes para que isso fosse possível. Conseguimos chegar ao topo, foram outras duas horas de escadas infinitas subindo que nos deram o gosto de toda a saga do santuário dos Cavaleiros do Zodíaco. E a vista era magnífica. Mas não era só a vista que importava, pois além de termos ficado sentados por cerca de uma hora esperando a neblina sair da nossa frente, olhar para a cidade perdida lá de cima com todas aquelas pessoas andando de um lado para o outro lá embaixo nos deu uma sensação de que aquele lugar era realmente fantástico, sentíamos que tínhamos feito um grande esforço para estar lá em cima e que aquilo era a recompensa em si.

Depois de quase uma hora esperando (e descansando) no topo da montanha, a neblina começa a abrir espaço para a vista que faz tudo valer a pena.

 

Lá em cima percebemos que aquele era um lugar que nunca íamos esquecer. Tivemos a certeza absoluta depois da descida, pois não conseguimos mais andar por dias, quando cada passo que dávamos nos lembrava da montanha e das ruínas. Um tipo de lavagem cerebral física que só Machu Picchu proporciona, e que sequer seria necessária.

Veja mais fotos do Peru no meu site: www.jpdevasconcelos.com
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